BLACK PAGE PARTE 1

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BLACK PAGE PARTE 1

Mensagem por Kalisto em Qua Out 07, 2015 6:37 am

Era final de tarde, o silencio vagava pelos corredores com total plenitude, como se a existencia de centenas de estudantes tivesse sido ignorada naquele unico dia.
Aconteceu algo. Algo que os professores se recusam a falar... algo que os alunos se perguntam em olhares distintos mas preferem não comentar e voz alta.

Esta tarde passei pelo terceiro andar da ala F... havia uma unica sala com um papel colado. Completamente preto e sem nenhuma  letra sequer. Parecia um bilhete de quando um professor estaria ausente ou a aula estava cancelada... mas nao havia nada escrito e ninguem permanecia ali..ninguem apareceu para olhar.
Tentei abrir a porta, mas estava trancada e pela fechadura ainda conseguia sentir que o ar condicionado havia sido esquecido ligado.

Uma sensação horrivel percorreu a espinha, como um calafrio, ao tirar a mao da maçaneta.
O que quer que fosse, talvez anunciassem na radio do colégio mais tarde.

Fui para o meu quarto ai da com a pequena sacola de compras na mao. Uma latinha de refrigerante e alguns canudinhos de chocolate. Era algo bem simples mas se tornou uma rotina na hora de estudar.... estudar? Seria dificil...
Na minha mente aquele simples papel em preto procurava um significado...
O que poderia ser? Um professor morreu? Um aluno morreu?
E qual seria o motivo pra deixar a sala daquela forma? Luzes acesas e  ar condicionado ligado...

Foi quando escutei alguem tentando entrar no meu quarto... a maçaneta se movia freneticamente como se estivesse numa tentativa desesperada de prosseguir. Meu coração acelerou imaginando um maníaco, um espírito... ou pior...

--Cigana? Abre a porta... se um inspetor me pega aqui eu tô frito... anda!--  dei um suspiro aliviada. A voz sussurrante atrás da porta era nada menos que famíliar.
-- Kamui... o que aconteceu?--disse indo destrancar a porta quando meu celular tocou no bolso do casaco.
Olhei na tela luminosa uma mensagem... mas... era do Kamui! E ele estava bem ali, não estava?

" Cigana, hoje vou sair com a sua amiga Haruna...bigbbs u know...
Quebrei um recorde. Vou mandar a foto
See ya " havia uma foto indexada com ele com uma luva de box numa maquininha de esmagar toupeiras, abraçando a Haruna que parecia querer evitar esse tipo de mico.

Embora a foto fosse um pouco cômica só me fez ficar mais preocupada.
Quem estava lá fora?
A maçaneta ainda frenética se movia numa impaciência absurda.

--kamui...?-- meu coração pesava de medo como se uma atmosfera sombria pairasse a minha volta, sufocando meu espirito ao desespero. Eu podia ouvir meu coração aos poucos cedendo ao medo num frio fio a cada segundo marcado no relógio de parede.
Segurei a maçaneta tentando fazer com que parasse.
-- Eu vou esfaquear voce...sua vadiazinha... aquela voz sussurrou distorcendo seu timbre.

Rapidamente eu me afastei da porta. Eu não possuia nada no meu quarto além de uma estante com ursinhos e livros e uma mesinha de centro. Meu olhar apavorado procurava alguma coisa para formar uma barreira entre o que quer que estivesse tentando entrar e eu.
Nao havia nada.
E a maçaneta parou por uns poucos segundos... quando o corpo pesado se chocou contra a porta fazendo com que um quadro caisse no chao jogando estilhaços por todo o chão encerado.

Foi inevitável ter os pés cortados... eu passei a noite trancada no banheiro do meu quarto, encolhida num canto do box e chorando com medo da morte.

Na manhã seguinte eu nao fui a nenhuma aula... minha mente vagava em choque e meu corpo parecia fraco pra continuar. Eu permanecia olhando a foto do meu irmão no celular  me perguntando como era possível.

A visao turva notou na tela uma chamada de Lance...
-- Kalisto-sama? Cade você? Não te encontrei no primeiro intervalo.. entao... eu resolvi ligar pra saber o de voce esta...se está tudo bem e tal... kalisto?
Uma pausa entre a respiração pesada e o aproximar do celular até o rosto.
-- Me ajuda...
Foi a ultima coisa que falei entre um  choro falho até apagar.

Acordei na enfermaria do colegio com a enfermeira enxotando kamus e Lance que insistiam em permanecer ali.
Olhei para Kamui aue parecia furioso,prestes a dar um soco na cara do médico,ameaçando com o punho fechado e uma folha preta amassada em sua mão.
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Re: BLACK PAGE PARTE 1

Mensagem por Kalisto em Qui Out 08, 2015 3:31 am

"Você sabe quem fez isso?" Eles me perguntaram.
Nao poderia simplesmente dizer que foi alguem distorcendo  voz... soaria meio insano e suspeito.
O diretor chamou-me a sua sala junto a três professores.  
Nao entendi o motivo daquilo.
Quando a porta se fechou me dei conta da atmosfera tensa com todos de pé exceto eu.
-- Senhorita Akayuki, acredito que saiba o motivo pelo qual foi chamada aqui. Quero que saiba que esta conversa esta sendo gravada e nossa prioridade é  segurança e bem estar de cada aluno deste colégio.
O diretor era um homem acima do peso que usava sempre um terno com gravata verde e oculos redondos. Sua voz o fazia facilmente reconhecivel como um senhor de idade que realmente era com seus cabelos grisalhos.
Eu nao reconhecia nenhum daqueles professores, na verdade possuia uma vaga lembrança de tê-los visto no colégio.
-- A sua direita esta a Doutora Alice, nossa psicologa nesta escola, com a finalidade de ajuda-la a superar as circunstâncias que este infeliz incidente tenha causado.
-- Você está segura agora,querida... pode confiar. Todos nessa sala estão aqui pra solucionar o problema pra que isso nunca mais aconteça.-- disse a mulher de corpo escultural e voz calma, com cabelos ruivos encaracolados caindo sobre os ombros .
--por que gravam?...-- disse meio tremula. Eu sabia que estava numa situação dificil por ter ido parar ali.
--A policia pediu. -- disse o homem a esquerda com um jaleco da enfermaria do colégio. Ele cruzou os braços e disse num tom ríspido. Quando foi interrompido.

-- me chamo Satoshi , e estou encarregado deste caso. Preciso que responda algumas questoes par que possa prosseguir com a investigação. Onde estava as 5 da tarde de ontem?

O diretor sentou-se em sua cadeira alta de couro preto e olhou diretamente para Satoshi.
--acredito que ja esteja a par da situação a esta altura, senhor satoshi. Kalisto Akayuki é um estudante com certa dificuldade de comunicação, por isso  a presença da Doutora Alice foi requisitada.
Satoshi pareceu insatisfeito.
Aquilo ia aos poucos numa ingreme troca de palavras afiadas delimitando uma disputa territorial.
Foi quando um papel foi deslizado pela mesa parando a minha frente. Uma folha em branco e Alice me estendeu uma caneta, dando um leve sorriso.
Em verdade era a unica ali que me passava alguma segurança. A unica que parecia realmente se importar se tudo ia terminar bem....pra mim.
"Eu nao vi quem era. Tentou arrombar a porta do meu quarto..."
Aos poucos aquilo tomou a tarde inteira , folhas e mais folhas foram recolhidas e arquivadas ao caso, juntamente com o audio completo, com a leitura e meu silencio.
Fui liberada e escoltada ate meu dormitório.

Todas as aulas foram suspensas na ala F.

O terceiro andar foi selado. Todos os alunos e funcionarios terminantemente proibidos de se aproximarem.
Esperando do lado de fora, sentado, largado no corredor, recostado na parede proxima a porta  estava Lance...
O olhar preocupado e o olhar fixo na tela do celular. Parecia preocupado e seus cabelos loiros caiam sobre os olhos e o óculos.
Fiquei parada olhando pra ele, me confortava tê-lo por perto... era quase como se fossemos...amigos de muito muito tempo.
Ele notou virando subitamente e minha unica reação foi esconder o rosto com as mangas do casaco. Eu nao ia olhar. Nao ia.
Sentia o   coração acelerado e o rosto ficar quente, sentia vergonha de ser olhada diretamente e nao conseguia me comunicar. Patético...
O que se faz numa ocasião dessas?
Foi uma aproximação lenta e eu pude sentir seus braços a minha volta. Ele me abraçou e nao disse mais nada. Era estranho e de certa forma tão agradável que ele fosse mais alto.
-- eu... fiquei preocupado. -- ele disse num tom baixo
Ele estava ali dês de que horas?
-- ... o inspetor...--
Aquilo poderia ser um problema mas algo no seu tom de voz me dizia que nao ia se importar.
-- eu sei... eu sei... eu ja vou ter de cumprir detenção... mas eu nao ia sair daqui até você chegar.
--senpai...-- eu tirei as maos do rosto vencendo a sensação que preferia ocultar, o rosto corado contra seu uniforme e as mãos perdidas na manga longa do casaco. Eu o abracei.
O calor em meu coração se comparava ao que sentia naquele instante em seus braços.
Nao conseguia definir... reconfortante? Era algo mais... mas... o que era?


Última edição por Kalisto em Qui Out 08, 2015 8:37 pm, editado 3 vez(es)
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BLACK PAGE PARTE 2

Mensagem por Kalisto em Qui Out 08, 2015 6:14 am

Seu olhar desviava  todo momento e ele coçava a nuca meio sem graça após aquela cena.
-- o que eu quis dizer foi... bem... eu quero que você fique segura. Não quero que nada de mal te aconteça.
-- estou bem... -- apenas gesticulei positivamente com a cabeça e sorri. Sabia que normalmente pessoas com laços muito fortes  tem a tendencia de serem super protetoras.
Mas o senpai... eu nunca achei um exagero a forma como se preocupava comigo.
--eu soube que seu irmão vai ficar contigo cora do colégio até isso tudo passar...é verdade? Ele pode fazer isso?
Seu olhar se tornou cinzento conforme falava.
Eu tentei abrir a porta do quarto e dei de cara com uma fita amarela da policia.
Respirei fundo tomando um pouco de coragem pra ter uma conversa decente. O contrario de minhas resumidas palavras. Eu sabia que podia melhorar, mas não seria um milagre.
-- ele é meu guardião legal...-- eu acabei falando. O que era verdade.
Kamus havia sido responsabilizado  por mim. Eu não comentava isso com ninguém.... sempre me pareceu estranho.
--eu te levo até lá... a ala M é cheia de per...-- ele ia dizer algo e parou por um segundo dando um sorriso pra disfarçar -- cheio de caras esquisitos... é isso.
Eu estendi a mão bem sutilmente indo de encontro a dele ficando ao seu lado e aguardei quando ele se deu conta de minha ação... era um pedido para que me guiasse.
A ala M era comum... exceto pela quantidade excessiva de avisos nos murais.
Chegamos a porta do meu irmão e quando ele atendeu... Lance e Kamus trocaram olhares raivosos.
Eu não entendia o que tinha acontecido. Mas foi algo realmente estranho.
Ele bateu a porta com força e nem olhou pra trás. Algo estava errado. Quando me levantei eu reparei meu caderno.... aberto no sofá.
Alguém tinha lido.
Alguém tinha lido!
Oh droga... meu próprio irmão tinha lido...
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